Terça-feira, Julho 24, 2007

10 Gritos para o Mundo - respondendo André Gazola

1. Que livro você está lendo?

Estou sempre relendo Cem Anos de Solidão, que é um dos meus livros preferidos, e neste momento saboreando As Ondas, de Virginia Woolf.


2. Lembra do seu primeiro livro?

Eu passava as horas do intervalo da escola lendo aos poucos uma história que, naquele tempo, me envolveu de uma maneira assustadora. Eu não sabia que as bibliotecas emprestavam livros, que a gente podia levá-los pra casa (!). O livro era Cazuza, de Viriato Correa.


3. No Brasil, sabemos que a leitura não é um hábito da população em geral. Quantos livros, em média, você lê por mês?

Não tem uma quantidade fixa, mas sempre mais de dois.


4. Você tem um gênero favorito? Qual?

Gosto muito da literatura fantástica, dos contos de horror e de poesia.


5. Alguns escritores, além de grandes artistas, são vistos como “seres superiores” por alguns leitores.Você tem ídolos escritores? Quais?

Sem dúvida, Paulo Leminski e Fernando Pessoa.


6. Você distingue o escritor pelo gênero - poesia, conto, romance, etc - ou acredita que escritor é escritor e ponto?

Escritor é sempre escritor, seja de epopéias ou de poemas concretistas.


7. A internet pode se transformar em uma ameaça para a leitura de livros?

Talvez a nova geração de leitores que se forma grudada ao computador não veja o menor problema em ler a Ilíada na tela. Mas isso demanda tempo. Eu ainda tenho uma paixão enorme pelo livro no sentido físico. Adoro o papel, o cheiro da tinha no papel, e até o fato de poder sair pelas ruas carregando Shakespeare nas mãos.


8. Se você pudesse, como acabaria com o analfabetismo no Brasil e como implantaria o hábito de leitura?

Analfabetismo se cura com escola. Se há investimento na educação básica, o alicerce para o desenvolvimento está formado. Não há outro meio. Com relação ao hábito de leitura, é necessário, antes de tudo, que existam livros! Todos sabemos que livro não é um produto assim dos mais baratos e nem todo lugar dispõe de uma biblioteca pública. Entra aí, mais uma vez, a falta de investimento público. Também é importante que haja nas escolas e nas comunidades pessoas como nós que frequentamos este blog, tão apaixonadas pela leitura, orientando e encantando os novos leitores. Criatividade pra isso, nós temos.

9. José Saramago declarou recentemente que sempre será comunista, embora saiba que este é um assunto ultrapassado. Um escritor deve manter para sempre seus valores, ou pode mudar de opinião?

O que nos mantém vivos é a nossa flexibilidade para mudanças. Nós nos adapatamos diante dos perigos e das novas situações e, por isso, perpetuamos a espécie - por enquanto. Mudar sempre!




10. Uma frase para o Dia do Escritor:
Um poema de Paulo Leminski:

Escrevo. E pronto.

Escrevo porque preciso,

preciso porque estou tonto.

Ninguém tem nada com isso.

Escrevo porque amanhece,

e as estrelas lá no céu

lembram letras no papel,

quando o poema me anoitece.

A aranha tece teias.

O peixe beija e morde o que vê.

Eu escrevo apenas.

Tem que ter por quê?



Agradecimento ao Lendo.org

Lendo.org é um blog viciante e necessário para os apaixonados pela literatura e pelas letras porque é escrito por duas pessoas aficionadas pela cultura: André Gazola e Daisy Carvalho.
O trabalho deles é tão cheio de um amor explícito pelas letras, que visitar o blog tornou-se uma tarefa diária para mim - uma tarefa mais que prazerosa.
No dia 22, minha "batida-de-cartão" se tornou ainda mais especial: este bloguinho aqui, tão malversado e solitário, entrou na lista dos 16 autores homenageados pelo dia do Escritor (25/07).
Ao Lendo.org, um emocionado muito obrigada!

Quarta-feira, Julho 04, 2007

Trapo - Cristovão Tezza


Ao receber de uma estranha, chamada Izolda, o espólio literário de um poeta marginal e suicida de 21 anos, o sistemático e aposentado professor Manuel começa um processo de mudança. A inesperada visitante quer convencê-lo a transformar os escritos do jovem morto, Paulo, em livro. Relutando em aceitar o pedido, que interromperá a sua rotina solitária, Manuel acaba por sucumbir em "sair de si mesmo para o mundo dos outros", passando a confrontar a sua personalidade conservadora com o mundo do poeta. O contraste entre o mundo novo e a velha rotina de vida é o elemento enfocado por Cristovão Tezza em Trapo.

Trapo foi escrito em 1982, mas a ação se passa em 1979, em Curitiba. Com a história do poeta curitibano suicida (no qual o falecido Paulo Leminski se reconheceu), Tezza mostra a revolta dos adolescentes da época contra o sistema, seja familiar ou poético. Faz ainda um confronto entre literatura, arte, poesia - de um lado - e negócio, posição social, pragmatismo - do outro. Trata-se de um romance de tintas naturalistas, construído no estilo rude e direto dos escritores americanos da geração beat.


Sobre Cristovão Tezza